Humanização na segurança privada: seu colega merece respeito
Humanização na segurança privada: Ulisses Costa questiona o julgamento entre colegas e mostra o valor do respeito e do apoio. Reflita sobre sua postura.
· 4 min de leitura

Resumo
A humanização na segurança privada envolve reconhecer a pessoa por trás do uniforme e discutir falhas sem transformar colegas em alvos de humilhação. Ulisses Costa defende respeito, aprendizado e solidariedade, apoiado em uma mobilização relatada em seu vídeo.
A humanização na segurança privada começa com uma lembrança que deveria ser simples: por trás de cada uniforme existe uma pessoa. Existe alguém com responsabilidades, dificuldades, qualidades e limites, que merece ser tratado com dignidade.
Falar sobre isso pode parecer estranho em uma profissão que lida diretamente com pessoas. Ainda assim, considero necessário, principalmente quando uma ocorrência vira motivo de julgamento e ridicularização nas redes sociais.
Minha preocupação não está apenas na forma como o público enxerga o vigilante. Está também na maneira como nós, profissionais da própria categoria, tratamos nossos companheiros.
Vídeo: YouTube · ver o post original ↗
Por que precisamos falar de humanização na segurança privada?
Trabalhamos com vidas e podemos enfrentar situações de pressão. Cada segmento tem suas particularidades, e cada profissional chega ao serviço com uma história que os outros nem sempre conhecem.
O uniforme identifica uma função, mas não apaga a pessoa que o veste. Reconhecer isso ajuda a construir uma relação de respeito entre colegas, supervisores e equipes.
No vídeo que deu origem a este artigo, questiono a perda de espaço da empatia em um ambiente de informação instantânea. A disputa por atenção pode favorecer a reação rápida e deixar a reflexão para depois.
Dentro da nossa categoria, precisamos escolher o que queremos alimentar: uma conversa que ajude a melhorar o trabalho ou uma exposição que apenas aumente o constrangimento de alguém.
Quando a análise de uma falha vira humilhação?
Uma ocorrência pode e deve gerar aprendizado. Podemos discutir procedimentos, identificar problemas e buscar formas de preparar melhor a equipe.
O problema começa quando o profissional deixa de ser ouvido e passa a ser reduzido a uma cena. Apelidos, ataques pessoais e comentários de deboche pouco acrescentam à compreensão do que aconteceu.
Também questiono a certeza de quem afirma que faria tudo melhor, qualquer que fosse a situação. Assistir a uma gravação é diferente de estar no local, sob pressão e com as informações disponíveis naquele momento.
Isso não impede a avaliação de responsabilidades. Significa preservar o respeito enquanto procuramos entender os fatos, em vez de usar a falha de alguém como oportunidade para aparecer.
Uma pergunta útil é: meu comentário ajuda alguém a aprender ou apenas transforma um colega em alvo?
Humanizar significa deixar de cobrar profissionalismo?
Respeito e responsabilidade podem caminhar juntos. Uma equipe precisa de orientação, preparo e correção quando um procedimento falha.
A forma de conduzir essa conversa importa. Apontar o que precisa ser corrigido é diferente de atacar o valor da pessoa ou afirmar que toda a sua trajetória se resume àquele episódio.
Ao desenvolver essa reflexão, proponho que a avaliação se concentre em perguntas concretas. O que aconteceu? Quais informações estão confirmadas? Que orientação ou preparação pode ajudar a evitar o problema?
Uma resposta profissional precisa considerar tanto a atuação individual quanto as condições do serviço. Julgar depressa pode deixar de fora questões que merecem atenção.
Tratar alguém com dignidade não enfraquece a cobrança. Permite que ela tenha propósito e seja acompanhada de uma possibilidade real de aprendizado.
O apoio entre colegas pode fazer diferença?
No vídeo, relato uma mobilização para ajudar um vigilante que atravessava um momento difícil. A divulgação do pedido levou profissionais a contribuir e oferecer apoio.
O depoimento de agradecimento apresentado ao final mostra que essa ajuda teve importância para ele. Além da contribuição financeira, as palavras de apoio também foram reconhecidas.
Esse episódio sustenta a mensagem que quero transmitir: nossa categoria também tem capacidade de acolher. Podemos escolher a solidariedade quando alguém precisa, em vez de enxergar apenas números ou funções.
A ajuda pode assumir formas diferentes. Ouvir com respeito, indicar um caminho de atendimento ou oferecer uma orientação são atitudes que merecem espaço nas nossas relações.
Também precisamos respeitar a privacidade. O pedido de apoio de uma pessoa não deve virar exposição desnecessária de sua vida.
Como levar essa postura para o cotidiano?
Não precisamos esperar uma grande mobilização para começar. A humanização aparece nas conversas, nos grupos de mensagens e na maneira como recebemos uma dificuldade apresentada por um colega.
Proponho alguns cuidados para transformar essa reflexão em atitude:
- Ouça: permita que o colega explique uma situação sem antecipar julgamentos.
- Separe fatos de comentários: não trate versões ou interpretações como certezas.
- Corrija com respeito: concentre a orientação no procedimento e no aprendizado.
- Preserve a pessoa: evite compartilhar conteúdos para ridicularizar ou expor.
- Ofereça apoio possível: pergunte do que ela precisa, sem assumir que conhece sua realidade.
Quero que essa conversa alcance profissionais de todos os cargos. Dignidade, compaixão e respeito não dependem da posição de alguém na equipe.
Podemos ter dificuldades para mudar toda a estrutura do setor, mas temos responsabilidade sobre a maneira como tratamos quem está ao nosso lado. É nesse encontro entre profissionalismo e respeito que a humanização começa a ganhar forma.
Perguntas frequentes
O que significa humanização na segurança privada?
Significa reconhecer a dignidade e as necessidades das pessoas envolvidas no trabalho. No artigo, Ulisses destaca especialmente o respeito e o apoio entre os próprios profissionais.
Humanizar impede a cobrança por uma falha?
Não. É possível avaliar responsabilidades e corrigir procedimentos sem humilhar o profissional, concentrando a conversa nos fatos e no aprendizado.
Como apoiar um colega em dificuldade?
Ouça com respeito e pergunte de que ajuda ele precisa. Preserve sua privacidade e, quando possível, ajude a encontrar orientação ou atendimento adequado.
Newsletter do QG
Quer receber o resumo da semana direto de mim?
Toda sexta eu separo as notícias que mudam o seu posto, o meu vídeo novo e o que vale a pena estudar. Grátis e sem spam.
Ao se inscrever você concorda com a política de privacidade. Cancele quando quiser.

Formação de vigilantes e segurança privada
Instrutor de Segurança Privada credenciado na DPF desde 2016, operador de Segurança Privada desde 2012. Tem um canal no Youtube com mais de 216 Mil Inscritos.
Comentários
Carregando os comentários…






